segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

                      CURRÍCULO E O DIREITO À EDUCAÇÃO.


Estamos inseridos em uma época repleta de mudanças em todos os âmbitos da sociedade onde há diferentes pensamentos, bem como, complexas vivencias culturais. Tais fatores refletem diretamente no setor educacional tendo em vista que é um cenário de socialização e através da educação buscamos uma formação compatível com as exigências que hora se propagam.
Nesse contexto, é preciso que professores e demais profissionais da escola repensem novas formas de ensino e aprendizagem, para tanto, devem trabalhar com conteúdo que atenda aos educandos de forma plena, com um currículo amplo e flexível que represente a composição dos conhecimentos e valores que caracterizam um processo social.
Dessa forma, entendemos que o currículo não se trata apenas dos conteúdos a serem ensinados, mas também da valorização do saber adquirido pela vivencia sociocultural dos educandos, que deve ser inserida nas práticas pedagógicas, de modo que sejam analisadas e sistematizadas.  Associa-se o currículo ao conjunto de esforços pedagógicos desenvolvidos com intenções educativas (MOREIRA e CANDAU 1996), onde cada ação pode ser valorizada e considerada como uma construção social.
Nesse processo, o currículo não se estabelece apenas na comunidade escolar, pois as atitudes e valores transmitidos na vivência, nas relações sociais devem ser levados em conta, portanto, o currículo oculto deve ser considerado. Silva (1999) entende que, o currículo oculto é “o conjunto de atitudes, valores e comportamentos que não fazem parte explícita do currículo, mas que são implicitamente ensinados através das relações sociais, dos rituais, das práticas e da configuração espacial e temporal da escola”. Assim, representa as influências sofridas pelo aluno, imprevistos que acontecem no decorrer do ensino.
            Na instituição escolar, o currículo deve ocupar lugar primordial na construção dos projetos, metas e objetivos, pois  é essencial na atuação pedagógica. Portanto é fundamental que passe por constantes discussões, reflexões e planejamentos com ênfase na LDB, DCN, PCN’s e nas diversas propostas que tratam desse currículo, pois a escola deve estar preparada para socializar seus conhecimentos de forma clara e responsável.
Muitos fatores interferem ou não na aprendizagem dos educandos, o que eles aprendem resulta da contextualização de conteúdos e espaços de referência. Os sujeitos envolvidos na ação educativa devem participar e discutir com o gestor e professores na construção dos projetos e nas ações educativas, no intuito de saber se o currículo está de acordo com a qualidade do ensino, se valoriza seus direitos e a sua formação integral.
Nesse intuito, a equipe gestora e professores ao elaborarem o currículo precisam ter em mente os seguintes questionamentos: para quê, para quem, qual o conteúdo a ser ensinado, a metodologia e os objetivos a serem alcançados. Essa equipe também precisa estar atenta a todo processo que envolve o currículo escolar e suas implicações na educação dos sujeitos e na qualidade do ensino o que propõe uma formação mais consistente nessa área, com ações voltada para a promoção da organização e da articulação de todas as condições materiais e humanas necessárias para garantir os avanços dos processos sócio educacionais da escola e a melhoria da qualidade do ensino
A escola de forma geral, não pode ficar alheia às mudanças que ocorrem ao seu redor, pois esse novo cenário nos obriga a rever os conteúdos a serem ensinados, as formas de planejar e lidar com novas situações. A discussão sobre currículo não envolve apenas organização e seleção de conteúdo, mas as concepções acerca da sociedade e seu desenvolvimento. Segundo Santos e Moreira(1996) “em parte por meio do currículo, diferentes sociedades procuram desenvolver os processos de conservação, transformação e renovação dos conhecimentos historicamente acumulados”.
Sabemos que existem na escola diferenças de saberes e ritmos de acompanhamentos de conteúdos por parte dos educandos, estes muitas vezes são classificados como inferiores, lentos etc. A escola deve repensar o currículo em função da desigualdade, pois todos têm direito à educação, cultura, esporte e lazer. Sendo assim, este currículo deve considerar o ser humano na sua integralidade para que atenda a todos de forma significativa, pois isso é um desafio para a escola. No entanto, os princípios norteadores definidos pela LDB 9394/96 ampliam e fundamentam as ações da gestão escolar nesse processo, nas quais precisa desenvolver na escola uma gestão democrática buscando a integração de todos os segmentos da comunidade escolar, melhorando a qualidade do processo de ensino aprendizagem, na tentativa de obter resultados satisfatórios



Referências

BRASIL. Lei 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Diário Oficial da União. Brasília, DF, v. 134, n. 248, p. 27833-841, 23 dez. 1996
CURY, Carlos Roberto Jamil. Direito a Educação: um campo de atuação do gestor na escola.
MOREIRA, Antônio Flávio Barbosa. O Campo do Currículo no Brasil: os anos noventa. In: Currículo sem Fronteiras, 2001.
SANTOS. L. L.C.P e MOREIRA, A. F. Currículo: questões de seleção e organização do conhecimento. In: Caderno Idéias. N.26, FDE. São Paulo, 1996.
SILVA, T. T. da. Documentos de identidade: uma introdução às teorias do currículo. Belo Horizonte: Autêntica, 1999.


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