CURRÍCULO E O DIREITO À EDUCAÇÃO.
Estamos inseridos em uma época repleta de
mudanças em todos os âmbitos da sociedade onde há diferentes pensamentos, bem
como, complexas vivencias culturais. Tais fatores refletem diretamente no setor
educacional tendo em vista que é um
cenário de socialização e através da educação buscamos uma formação
compatível com as exigências que hora se propagam.
Nesse contexto, é preciso que professores e
demais profissionais da escola repensem novas formas de ensino e aprendizagem,
para tanto, devem trabalhar com conteúdo que atenda aos educandos de forma
plena, com um currículo amplo e flexível que represente a composição dos conhecimentos e valores que caracterizam
um processo social.
Dessa forma, entendemos que o currículo não
se trata apenas dos conteúdos a serem ensinados, mas também da valorização do saber
adquirido pela vivencia sociocultural dos educandos, que deve ser inserida nas
práticas pedagógicas, de modo que sejam analisadas e sistematizadas. Associa-se o currículo ao conjunto de
esforços pedagógicos desenvolvidos com intenções educativas (MOREIRA e CANDAU
1996), onde cada ação pode ser valorizada e considerada como uma construção
social.
Nesse processo, o currículo não se estabelece
apenas na comunidade escolar, pois as atitudes e valores transmitidos na vivência,
nas relações sociais devem ser levados em conta, portanto, o currículo oculto
deve ser considerado. Silva (1999)
entende que, o currículo oculto é “o conjunto de atitudes, valores e
comportamentos que não fazem parte explícita do currículo, mas que são
implicitamente ensinados através das relações sociais, dos rituais, das práticas
e da configuração espacial e temporal da escola”. Assim, representa as
influências sofridas pelo aluno, imprevistos que acontecem no decorrer do
ensino.
Na instituição escolar, o
currículo deve ocupar lugar primordial na construção dos projetos, metas e
objetivos, pois é essencial na atuação
pedagógica. Portanto é fundamental que passe por constantes discussões,
reflexões e planejamentos com ênfase na LDB, DCN, PCN’s e nas diversas
propostas que tratam desse currículo, pois a escola deve estar preparada para
socializar seus conhecimentos de forma clara e responsável.
Muitos fatores interferem ou não na
aprendizagem dos educandos, o que eles aprendem resulta da contextualização de
conteúdos e espaços de referência. Os sujeitos envolvidos na ação educativa devem
participar e discutir com o gestor e professores na construção dos projetos e nas
ações educativas, no intuito de saber se o currículo está de acordo com a
qualidade do ensino, se valoriza seus direitos e a sua formação integral.
Nesse intuito, a equipe gestora e professores
ao elaborarem o currículo precisam ter em mente os seguintes questionamentos: para quê, para quem, qual o conteúdo a
ser ensinado, a metodologia e os objetivos a serem alcançados. Essa equipe
também precisa estar atenta a todo processo que envolve o currículo escolar e
suas implicações na educação dos sujeitos e na qualidade do ensino o que propõe
uma formação mais consistente nessa área, com ações voltada para a
promoção da organização e da articulação de todas as condições materiais e
humanas necessárias para garantir os avanços dos processos sócio educacionais
da escola e a melhoria da qualidade do ensino
A escola de forma geral, não pode ficar
alheia às mudanças que ocorrem ao seu redor, pois esse novo cenário nos obriga
a rever os conteúdos a serem ensinados, as formas de planejar e lidar com novas
situações. A discussão sobre currículo não envolve
apenas organização e seleção de conteúdo, mas as concepções acerca da sociedade
e seu desenvolvimento. Segundo Santos e Moreira(1996) “em parte por meio do
currículo, diferentes sociedades procuram desenvolver os processos de
conservação, transformação e renovação dos conhecimentos historicamente
acumulados”.
Sabemos que existem na escola diferenças de
saberes e ritmos de acompanhamentos de conteúdos por parte dos educandos, estes
muitas vezes são classificados como inferiores, lentos etc. A escola deve
repensar o currículo em função da desigualdade, pois todos têm direito à
educação, cultura, esporte e lazer. Sendo assim, este currículo deve considerar
o ser humano na sua integralidade para que atenda a todos de forma
significativa, pois isso é um desafio para a escola. No entanto, os princípios
norteadores definidos pela LDB 9394/96 ampliam e fundamentam as ações da gestão
escolar nesse processo, nas quais precisa desenvolver na escola uma gestão
democrática buscando a integração de todos os segmentos da comunidade escolar,
melhorando a qualidade do processo de ensino aprendizagem, na tentativa de
obter resultados satisfatórios
Referências
BRASIL.
Lei 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece
as Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Diário Oficial da União. Brasília,
DF, v. 134, n. 248, p. 27833-841, 23 dez. 1996
CURY, Carlos Roberto
Jamil. Direito a Educação: um campo de atuação do gestor na escola.
MOREIRA,
Antônio Flávio Barbosa. O Campo do Currículo no Brasil: os anos noventa.
In: Currículo sem Fronteiras, 2001.
SANTOS. L. L.C.P e MOREIRA, A. F.
Currículo: questões de seleção e
organização do conhecimento. In: Caderno Idéias. N.26, FDE. São Paulo,
1996.
SILVA, T. T. da. Documentos de identidade: uma introdução às
teorias do currículo. Belo Horizonte: Autêntica, 1999.